Anotações oníricas [Viagens ao dormir]

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Sonhei com vovó Cita. Era hoje e ela estava viva, mas nem de longe aparentava a idade que teria atualmente, quase 88 anos. Estava nova e morava em uma linda casa de condomínio, com uma piscina no quintal todo gramado. Vera morava com ela e também aparentava ser mais nova.

De resto, todos nós tínhamos a cara de hoje. Estávamos tomando banho na piscina, à noite. Era uma espécie de inauguração da casa de vovó. Papai de dentro da piscina gritava que não ia mentir e que agora queria mesmo um neto “machinho”.

Todos riram muito. Foi o sonho mais acolhedor dos últimos tempos.

“Brega, sei que com essa vc chora, mas não poderia deixar de te contar. Vovô já confirmou presença no seu casamento. Essa noite sonhei com ele e ele tava todo agoniado querendo comprar uma passagem de avião para ir para Sampa para seu casamento. ♥ Falou que não ia com a gente, não. Que não poderia ficar tantos dias, mas que não poderia perder o casamento. ♥”

Minha irmã Tatiana sonhou isso. E eu chorei muito, no meio da tarde, no meio do trabalho.

Sonhei com a casa do Turu. A casa de vovô Noske e vovó Cita, que hoje nem é mais da gente. Faz tempo que não passo nem em frente, mas essa madrugada eu “passei” por lá. A diferença é que da avenida era possível ver tudo que acontecia lá dentro, como se o muro alto fosse transparente. E a casa que eu tanto amei havia virado um asilo. Casa de repouso para velhinhos. Estava sol e um velhinho passeava entre as roseiras de vovô.

William, querido geminiano,
estreando em sonhos meus

Pela primeira vez nesse quase um ano em que nos conhecemos, sonhei com William. Perto do aniversário dele, bem no nosso inferno astral. O sonho foi bem real. Ele estava no Rio – onde está agora mesmo – e ligava perguntando umas coisas pra gente. Dicas de bar ou algo assim. William é uma presença tão necessária, que até sonhar com ele é bom demais.

Sonhei também com a minha escola. Que, entre uma sala de aula e outra, tinha vitrines de lojas. Como se fosse um shopping. Eu passeava pelos corredores, em busca da sala de Dânia. E achava.

Outra lembrança da noite é de um casamento na casa dos meus avós, no Turu. Atrizes da novela de Manoel Carlos, Lilian Cabral e Natália do Valle, perguntavam se as madrinhas iam entrar também com buquê de flores. Bizzaro. E, no meio da arrumação da casa para a cerimônia, eu encontrava um prato de salada murcha atrás da cadeira onde vovô se deitava para ver TV. Como se tivesse sido esquecida ali há semanas. Ou há meses.

Essa noite tive um sonho quase pesadelo que já tive. Fico angustiada com ele, porque fica parecendo, para mim, que as pessoas que amo muito estão angustiadas em outra dimensão.
O sonho foi com a tal porta da cozinha da casa do Turu, onde moravam meus avós paternos. Já sonhei que vovó insistia em deixar a porta aberta, mesmo à noite, deixando a noite entrar cozinha adentro. Ela já estava morta, sabia disso, eu também tinha essa consciência e, claro, não tinha medo dela. Mas pedia que ela entrasse e me deixasse fechar a porta. Ela não deixava. E dizia que ela cuidaria da casa. Na época em que tive esse sonho soube por minha irmã mais velha que haviam roubado essa porta e que a casa, vazia e ainda não vendida, estava sendo saqueada. Chorei muito ao saber.
Noite passada tive o mesmo sonho, mas desta vez quem insistia para manter a porta escancarada era Dadá. Dadázinha, que sempre sentava no seu banquinho bem ali do lado da porta. Pois agora foi ela que não deixou por nada eu fechar. Abriu quantas vezes foi necessário e não me deixou nem argumentar.

Esse final de semana, acho que de sexta pra sábado, na verdade, sonhei com a minha avó materna. Ela conversava comigo por telefone. E dizia que o casamento de papai e mamãe tinha sido “de mentirinha”, as fotos tinham sido armadas, só pra gente achar que eles eram casados mesmo quando nascesse. A gente = eu e minhas irmãs. Eu contestava, dizia que não, que eles tinham casado sim, que o constante pedido de mamãe para papai casar com ela era só uma brincadeirinha [uma brincadeira real deles, que dura até hoje, com meu pai sempre rindo e dizendo NÃO!]. A vovó reafirmava tudo: eles não tinham se casado de verdade e era para eu ajudar mamãe a organizar a festa de casamento que ela sempre sonhara.

No dia seguinte, liguei para a minha mãe e pedi que ela levasse flores para a vovó no cemitério, aproveitando que estava em Teresina. Contei o sonho. Minha mãe riu. E disse para eu aprender a interpretar sonhos.

– Isso é sua avó cobrando que você se case de verdade.

Achei graça.

19 de setembro de 1971:
papai e mamãe no altar, lindos